Segurança acima de tudo


Este é um relato de um incidente que felizmente acabou bem, mas serve de alerta para que as condições do mar nunca sejam subestimadas e para que a importância do uso do colete possa ser melhor compreendida como uma necessidade natural de quem se propõe a remar.

Em 05/10/2013 a Gabi, remadora do nosso clube estava com sua OC-1 na Costa Verde, região de Mangaratiba, e vivenciou esta situação de risco, da qual escapou ilesa e com isso pôde compartilhar com a gente o relato:

“Hoje eu e Iara (a OC-1) passamos pela situação mais difícil que já enfrentamos no mar, foi também a experiência mais assustadora da minha vida! Depois de olhar o mar varias vezes ate decidir se entraria ou não por causa do vento e do mar balançado, decidi dar uma remada rápida, peguei o colete, pensei em colocar, mas fiz como de costume e coloquei na cordinha da canoa. Bom, começamos nossa remada e no meio do caminho o vento aumentou e resolvi por segurança voltar, no que comecei a fazer a curva, fiquei de lado para as ondulações e ela virou! A principio sem problemas, estou acostumada com hulis, apesar de não querer ter entrado na água (tava frio e a água gelada). Fiz o procedimento para desvirar a canoa e meu remo escapuliu da minha mão, virei para pegá-lo e em questão de segundos a canoa com o vento e a corrente se afastaram de mim. Nadei em direção a ela, mas ela se afastava cada vez mais. Não demorou muito para eu perceber que jamais conseguiria alcançá-la! Foi ai que meu drama começou! Estava sem colete a uns 2km da costa e com um remo na mão! Tive que tomar a decisão mais difícil da minha vida! Esquecer a canoa e começar a nadar em direção a costa! Depois de um tempo nadando levando o remo tive que tomar a segunda decisão mais difícil, abandonar o remo também! Larguei o remo e comecei a nadar mais forte, de frente, de costas, só boiando… Por muito tempo! Tava longe e por várias vezes achei que não fosse conseguir chegar, não passava nenhum barco e só me restava nadar e pedir a deus para que a corrente e o vento permanecessem a meu favor! Enfim, depois de quase 1h nadando sem parar e com cãibra nas duas batatas da perna cheguei na praia! Viva!!! Agradeci a Deus, a Iemanjá por não ter me querido como oferenda e a Iara (deusa das águas e minha falecida avó, que deram o nome a canoa). Agora iniciava a segunda etapa, resgatar a canoa (que estava com meu iPhone também)! Consegui um barco de uns pescadores e saímos a procura da canoa. Primeiro encontramos o remo! Depois encontramos a canoa sendo segurada por um anjo no meio do mar, perto das pedras! Esse anjo era um gringo, marinheiro que viu a canoa sozinha e foi nadando tentar resgata-lá para que não batesse nas pedras! Ele me desejou sorte e disse que os ventos vão estar sempre do meu lado! Final da história, tô viva, resgatei remo, canoa e iPhone intactos! Mas poderia não ter sido assim! O final poderia ter sido muito triste.. E levo como aprendizado que o mar não tem cabelo e que nunca devemos subestimá-lo! Sair com equipamento de segurança sempre e em condições como as de hoje, não sair sozinha! Deus e meus guias não me abandonaram hoje, literalmente nasci de novo!”

** NOTA: Este incidente não ocorreu durante treinos regulares do clube, mas sim em uma remada na região de Mangaratiba, estando a remadora em uma OC-1 de sua propriedade. O Carioca Va’a Clube exige de todos os seus remadores a assinatura de termo de responsabilidade pelo qual se comprometem a usar colete nas atividades regulares do clube e não recomenda remadas solitárias em canoa OC-1.


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Trabalho em Equipe

“KOMO MAI KAU MAPUNA HOE”

(coloque sua pá na água e junte-se ao esforço!)

O trabalho em equipe, desde os tempos antigos, é uma das características mais fortes do va’a. Na preparação das embarcações e no dia a dia dos núcleos de va’a, as tarefas podem ser distribuídas ou os remadores podem tomar a iniciativa. As características e habilidades de cada indivíduo para o grupo têm o mesmo valor: os mais jovens e fortes fazem o trabalho mais pesado, o ancião oferece incentivo e conselhos, outros limpam e preparam as amarras, abastecem a canoa com água e comida.